Memórias
Fogo, e cinzas então.
Vai, passado
que eu não lhe quero mais aqui
eu não lhe quero mais em mim.
Não quero ter-lhe lembrado
em papéis, fotos, cartas
não quero ter-lhe marcado
em telas e pincéis
de sofridas aquarelas, das letras vomitadas
do amor bruto, lapidado
morto e enterrado,
já bem abaixo do chão.


1 Comments:
como não amar-te? como não ser invadido pelas palavras tuas, em combustão? como não ser infinito neste mundo teu que desdiz a eternidade dos deuses? [teus sorrisos inventaram a chuva azulada das minhas tardes e não podem agora, simplesmente, sumir]
como trancar estas memórias desossadas nas reentranças das minhas madrugadas solitárias, se ao primeiro sinal do amanhã pra ti eu me faço delírio em nanquim?[as tuas marcas estão por toda parte e não partem daquilo que resta de lúcido em mim]
como não ser teu e apenas teu, se na minha pele és raiz, se na minha íris estás implantada, se dos meus passos és a trilha tresloucada que me leva embora daqui? [menina que eu amo, dou-te meus anjos nus e meus soldadinhos de chumbo pra que nunca deixemos de sorrir]
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