setembro 09, 2006

---

A moça parou
quando entardeceu
e seus olhos brilharam
com o pôr do sol:
junto do mar,
resplandeceu.
.
---
.

2 Comments:

Blogger douglas D. said...

Algumas vezes, escolhemos o pôr-do-sol como refúgio e ficamos ali, diante do rio, observando os barquinhos passarem enquanto o poente avança, trazendo novas cores ao céu outrora apenas azul. Ao vermos o sol, já quase mergulhado no horizonte, invadem-nos harmonicamente o silêncio e a leveza, desarmando nossas mentiras, revirando-nos dos pés à cabeça, para então, levar-nos pra longe, tão longe que, ao apercebermo-nos, já não cabemos mais em nosso próprio mundo e acabamos por sentir um imenso vazio – um vazio de nós mesmos. Nesses momentos, não há poesia, nem prece ou canção capaz de preencher-nos. Estamos sós, afagados por uma solidão faminta, atenciosa, paciente, meticulosa e fiel. Dói-nos a alma. A respiração concentra-se num só ponto. Os ossos estalam em desespero. É penoso o desnudar de si mesmo. Assustados, socorremo-nos da lucidez. Infalível! Os nossos olhos recobram a velha clareza ao verem um pássaro em vôo de retirada. A tranqüilidade retoma o seu lugar. Passamos a notar os carros, as pessoas, os cães vadios e aquele mendigo, esperando por esmolas. Com alívio, damos às costas ao que resta da tarde. Saudamos a rotina. Calculamos os próximos passos. Escolhemos o destino de sempre. Bom mesmo seria mergulhar na loucura. E trazer do fundo do rio, estrelas cadentes na palma das mãos.

11 setembro, 2006 01:38  
Blogger mg6es said...

belo par, foto-poema, e a moça olhando a tudo de longe...

bjo.

13 setembro, 2006 14:32  

Postar um comentário

<< Home