dezembro 22, 2007


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A última vez que ela
disse adeus era noite, e a cidade
cheirava à madrugada
com os postes brilhando feito
luzes de natal. Na verdade
já era dezembro quando
ela chorou pela última vez, pois foi logo quando
as chuvas recomeçaram, e,
no domingo de manhã,
caiu tempestade. Mas
como seus fins, ao contrário
das suas vontades, eram efêmeros
ela já não chorava vendo a chuva cair
na noite vazia.
Apenas cantarolava uma canção e
pensava, sonhando, no amor.

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2 Comments:

Blogger douglas D. said...

na última vez em que estiveram sozinhos, estrangulados um do outro, era uma tarde de dezembro e, embora não chovesse, o céu parecia escuro demais, ruidoso demais, distante demais. fotos sobre a cama, memórias fixadas à parede e um amontoado de sonhos, sonhos em sépia, feito chão outonal coberto de folhas. fecharei a porta sem olhar para trás, pensou. atravessarei a rua com passos firmes, decidiu. é isso? deixar tudo porque tens medo, porque abraças o vazio como quem rumina esperanças? fraco, é o que és. na última vez em que estiveram sozinhos restava uma pálida imagem refletida no espelho, feita de rostos tristes a velar o anúncio de um amanhã tranqüilo, acomodado e pio. porque a imobilidade sobrevive ao tempo quando o amor está farto de si.

22 dezembro, 2007 05:39  
Blogger Marcela Bertoletti said...

Poxa adorei o seu blog e o jeito que vc escreve! Muito bonitos seus textos.

Bj

Marcela

29 dezembro, 2007 20:41  

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